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Portal AuToCaRaVaNiStA http://www.autocaravanista.pt Coordenador jbmendes

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SABUGAL

Nota AuToCaRaVaNiStA:

Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.

HISTÓRIA:

O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelaslinhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupaçãohumana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamentopopulacional, pelo rigor do seu clima.Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências àsdesaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), àsescavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénioa.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude einúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), noCabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos decabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destasterras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importânciaregional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóiose do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, asgravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoadosfortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a regiãosuperior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram umagrande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionaiscirculares e rectangulares.Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através daforça dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nestaregião, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foiencontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a suacronologia é bastante recuada. São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, quedemonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam aenorme aculturação romana da população indígena local.Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de CariaTalaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã daPenínsula Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foiconsideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.Câmara Municipal do Sabugalhttp://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendoo equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estasterras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos destaregião, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,procurando novas terras.Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aíum novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias quecomeçavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período dedomínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linhadupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramenteum dos centros populacionais mais importantes da região.Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida comLeão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seuneto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugalleonês.Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho daGuarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordemdo Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras defronteira com Leão.Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de umafortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se umapovoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta doséc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa alturade ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; eVilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227. Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após umainvestida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral possedestas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratadode Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa ficacom a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,praticamente, se manterá até aos nossos dias.A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas porcinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma sedeve ao rei D. Dinis e seus descendentes.No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pelarestauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. OSabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entreas duas coroas.Câmara Municipal do Sabugalhttp://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão denovos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seuscastelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do séculoXVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região àGuarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pelaconstrução de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (jádesaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maiore a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauraçãocontra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até àassinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase trêsdécadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente àCongregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativasdas suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dosMarianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordensmonásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Naderradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, astropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, naBatalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dosseus bens e habitantes.Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touroem 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este municípiopassou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigasVilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossaregião.

Fonte: http://web.cm-sabugal.pt

COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA

by jbmendes

SABUGAL

Nota AuToCaRaVaNiStA:

Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.

HISTÓRIA:

O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelaslinhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupaçãohumana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamentopopulacional, pelo rigor do seu clima.Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências àsdesaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), àsescavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénioa.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude einúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), noCabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos decabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destasterras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importânciaregional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóiose do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, asgravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoadosfortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a regiãosuperior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram umagrande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionaiscirculares e rectangulares.Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através daforça dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nestaregião, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foiencontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a suacronologia é bastante recuada. São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, quedemonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam aenorme aculturação romana da população indígena local.Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de CariaTalaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã daPenínsula Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foiconsideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.Câmara Municipal do Sabugalhttp://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendoo equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estasterras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos destaregião, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,procurando novas terras.Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aíum novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias quecomeçavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período dedomínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linhadupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramenteum dos centros populacionais mais importantes da região.Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida comLeão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seuneto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugalleonês.Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho daGuarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordemdo Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras defronteira com Leão.Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de umafortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se umapovoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta doséc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa alturade ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; eVilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227. Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após umainvestida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral possedestas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratadode Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa ficacom a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,praticamente, se manterá até aos nossos dias.A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas porcinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma sedeve ao rei D. Dinis e seus descendentes.No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pelarestauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. OSabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entreas duas coroas.Câmara Municipal do Sabugalhttp://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão denovos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seuscastelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do séculoXVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região àGuarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pelaconstrução de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (jádesaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maiore a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauraçãocontra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até àassinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase trêsdécadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente àCongregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativasdas suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dosMarianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordensmonásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Naderradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, astropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, naBatalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dosseus bens e habitantes.Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touroem 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este municípiopassou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigasVilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossaregião.

Fonte: http://web.cm-sabugal.pt

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SABUGAL

Nota AuToCaRaVaNiStA:

Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.

HISTÓRIA:

O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelaslinhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupaçãohumana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamentopopulacional, pelo rigor do seu clima.Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências àsdesaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), àsescavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénioa.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude einúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), noCabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos decabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destasterras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importânciaregional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóiose do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, asgravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoadosfortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a regiãosuperior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram umagrande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionaiscirculares e rectangulares.Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através daforça dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nestaregião, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foiencontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a suacronologia é bastante recuada. São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, quedemonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam aenorme aculturação romana da população indígena local.Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de CariaTalaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã daPenínsula Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foiconsideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.Câmara Municipal do Sabugalhttp://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendoo equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estasterras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos destaregião, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,procurando novas terras.Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aíum novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias quecomeçavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período dedomínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linhadupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramenteum dos centros populacionais mais importantes da região.Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida comLeão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seuneto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugalleonês.Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho daGuarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordemdo Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras defronteira com Leão.Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de umafortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se umapovoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta doséc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa alturade ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; eVilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227. Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após umainvestida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral possedestas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratadode Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa ficacom a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,praticamente, se manterá até aos nossos dias.A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas porcinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma sedeve ao rei D. Dinis e seus descendentes.No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pelarestauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. OSabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entreas duas coroas.Câmara Municipal do Sabugalhttp://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão denovos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seuscastelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do séculoXVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região àGuarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pelaconstrução de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (jádesaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maiore a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauraçãocontra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até àassinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase trêsdécadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente àCongregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativasdas suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dosMarianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordensmonásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Naderradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, astropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, naBatalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dosseus bens e habitantes.Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touroem 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este municípiopassou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigasVilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossaregião.

Fonte: http://web.cm-sabugal.pt

COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA

by jbmendes

SABUGAL



Nota AuToCaRaVaNiStA:


Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.


HISTÓRIA:


O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas
linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação
humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento
populacional, pelo rigor do seu clima.





Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às
desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às
escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,
artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),
cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio
a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.





A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e
inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no
Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de
cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas
terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância
regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios
e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as
gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.





As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados
fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo
(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho
(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região
superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma
grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais
circulares e rectangulares.





Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da
força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta
região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi
encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua
cronologia é bastante recuada.





São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que
demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.
Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a
enorme aculturação romana da população indígena local.





Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,
visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria
Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).





Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da
Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi
consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22




Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo
o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas
terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta
região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,
procurando novas terras.





Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí
um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que
começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.





Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de
domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha
dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais
(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente
um dos centros populacionais mais importantes da região.





Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,
retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com
Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu
neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal
leonês.





Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da
Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem
do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de
fronteira com Leão.





Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma
fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma
povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do
séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura
de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.





O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:
a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e
Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.





Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma
investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse
destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado
de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica
com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,
praticamente, se manterá até aos nossos dias.





A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por
cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se
deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.





No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela
restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O
Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre
as duas coroas.





Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22
Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,
uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de
novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus
castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século
XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,
datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.





O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à
Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela
construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já
desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior
e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).





Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração
contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à
assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três
décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.





Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à
Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas
das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos
Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens
monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.





No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na
derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as
tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na
Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos
seus bens e habitantes.





Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,
comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro
em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município
passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas
Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,
mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa
região.


Fonte: http://web.cm-sabugal.pt


COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA


by jbmendes

SABUGAL



Nota AuToCaRaVaNiStA:


Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.


HISTÓRIA:


O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas
linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação
humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento
populacional, pelo rigor do seu clima.





Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às
desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às
escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,
artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),
cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio
a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.





A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e
inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no
Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de
cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas
terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância
regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios
e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as
gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.





As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados
fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo
(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho
(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região
superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma
grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais
circulares e rectangulares.





Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da
força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta
região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi
encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua
cronologia é bastante recuada.





São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que
demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.
Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a
enorme aculturação romana da população indígena local.





Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,
visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria
Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).





Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da
Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi
consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22




Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo
o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas
terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta
região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,
procurando novas terras.





Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí
um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que
começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.





Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de
domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha
dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais
(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente
um dos centros populacionais mais importantes da região.





Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,
retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com
Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu
neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal
leonês.





Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da
Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem
do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de
fronteira com Leão.





Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma
fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma
povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do
séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura
de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.





O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:
a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e
Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.





Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma
investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse
destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado
de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica
com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,
praticamente, se manterá até aos nossos dias.





A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por
cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se
deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.





No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela
restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O
Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre
as duas coroas.





Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22
Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,
uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de
novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus
castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século
XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,
datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.





O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à
Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela
construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já
desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior
e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).





Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração
contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à
assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três
décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.





Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à
Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas
das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos
Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens
monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.





No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na
derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as
tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na
Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos
seus bens e habitantes.





Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,
comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro
em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município
passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas
Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,
mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa
região.


Fonte: http://web.cm-sabugal.pt


COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA


by jbmendes

SABUGAL



Nota AuToCaRaVaNiStA:


Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.


HISTÓRIA:


O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas
linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação
humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento
populacional, pelo rigor do seu clima.





Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às
desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às
escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,
artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),
cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio
a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.





A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e
inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no
Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de
cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas
terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância
regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios
e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as
gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.





As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados
fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo
(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho
(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região
superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma
grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais
circulares e rectangulares.





Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da
força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta
região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi
encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua
cronologia é bastante recuada.





São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que
demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.
Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a
enorme aculturação romana da população indígena local.





Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,
visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria
Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).





Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da
Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi
consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22




Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo
o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas
terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta
região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,
procurando novas terras.





Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí
um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que
começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.





Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de
domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha
dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais
(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente
um dos centros populacionais mais importantes da região.





Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,
retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com
Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu
neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal
leonês.





Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da
Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem
do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de
fronteira com Leão.





Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma
fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma
povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do
séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura
de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.





O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:
a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e
Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.





Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma
investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse
destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado
de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica
com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,
praticamente, se manterá até aos nossos dias.





A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por
cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se
deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.





No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela
restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O
Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre
as duas coroas.





Câmara Municipal do Sabugal
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Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,
uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de
novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus
castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século
XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,
datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.





O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à
Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela
construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já
desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior
e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).





Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração
contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à
assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três
décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.





Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à
Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas
das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos
Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens
monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.





No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na
derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as
tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na
Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos
seus bens e habitantes.





Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,
comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro
em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município
passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas
Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,
mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa
região.


Fonte: http://web.cm-sabugal.pt


COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA


by jbmendes

SABUGAL



Nota AuToCaRaVaNiStA:


Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.


HISTÓRIA:


O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas
linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação
humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento
populacional, pelo rigor do seu clima.





Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às
desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às
escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,
artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),
cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio
a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.





A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e
inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no
Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de
cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas
terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância
regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios
e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as
gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.





As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados
fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo
(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho
(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região
superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma
grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais
circulares e rectangulares.





Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da
força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta
região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi
encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua
cronologia é bastante recuada.





São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que
demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.
Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a
enorme aculturação romana da população indígena local.





Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,
visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria
Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).





Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da
Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi
consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22




Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo
o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas
terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta
região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,
procurando novas terras.





Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí
um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que
começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.





Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de
domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha
dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais
(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente
um dos centros populacionais mais importantes da região.





Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,
retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com
Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu
neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal
leonês.





Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da
Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem
do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de
fronteira com Leão.





Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma
fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma
povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do
séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura
de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.





O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:
a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e
Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.





Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma
investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse
destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado
de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica
com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,
praticamente, se manterá até aos nossos dias.





A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por
cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se
deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.





No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela
restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O
Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre
as duas coroas.





Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22
Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,
uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de
novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus
castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século
XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,
datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.





O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à
Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela
construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já
desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior
e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).





Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração
contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à
assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três
décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.





Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à
Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas
das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos
Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens
monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.





No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na
derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as
tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na
Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos
seus bens e habitantes.





Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,
comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro
em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município
passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas
Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,
mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa
região.


Fonte: http://web.cm-sabugal.pt


COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA


by jbmendes

SABUGAL



Nota AuToCaRaVaNiStA:


Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.


HISTÓRIA:


O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas
linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação
humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento
populacional, pelo rigor do seu clima.





Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às
desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às
escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,
artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),
cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio
a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.





A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e
inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no
Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de
cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas
terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância
regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios
e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as
gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.





As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados
fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo
(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho
(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região
superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma
grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais
circulares e rectangulares.





Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da
força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta
região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi
encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua
cronologia é bastante recuada.





São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que
demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.
Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a
enorme aculturação romana da população indígena local.





Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,
visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria
Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).





Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da
Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi
consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22




Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo
o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas
terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta
região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,
procurando novas terras.





Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí
um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que
começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.





Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de
domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha
dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais
(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente
um dos centros populacionais mais importantes da região.





Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,
retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com
Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu
neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal
leonês.





Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da
Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem
do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de
fronteira com Leão.





Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma
fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma
povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do
séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura
de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.





O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:
a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e
Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.





Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma
investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse
destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado
de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica
com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,
praticamente, se manterá até aos nossos dias.





A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por
cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se
deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.





No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela
restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O
Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre
as duas coroas.





Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22
Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,
uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de
novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus
castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século
XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,
datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.





O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à
Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela
construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já
desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior
e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).





Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração
contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à
assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três
décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.





Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à
Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas
das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos
Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens
monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.





No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na
derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as
tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na
Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos
seus bens e habitantes.





Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,
comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro
em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município
passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas
Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,
mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa
região.


Fonte: http://web.cm-sabugal.pt


COPYRIGHT AuToCaRaVaNiStA


by jbmendes

SABUGAL



Nota AuToCaRaVaNiStA:


Falar de Sabugal, é falar do seu Castelo banhado pelo rio Côa. Alto e imponente pela quantidade de pedra usada na sua construção. Recentemente restaurado e bem conservado, está normalmente de portas abertas, tem o custo de 1€ que dá também para o acesso ao museu.


HISTÓRIA:


O Concelho do Sabugal integra-se na ampla unidade geográfica do Alto Côa, correspondente às terras irrigadas pelas
linhas de água afluentes do curso superior deste rio. A região tem vindo a revelar indícios de importante ocupação
humana, desde a Antiguidade, apesar das suas condições naturais não serem as mais propícias ao assentamento
populacional, pelo rigor do seu clima.





Os vestígios mais antigos identificados neste território recuam ao Neolítico e ao Calcolítico. Desde as referências às
desaparecidas antas de Ruivós, Aldeia da Ribeira e Bendada, e a recentemente descoberta em Sacaparte (Alfaiates), às
escavações realizadas no centro histórico do Sabugal (onde se obteve cerâmica com decoração penteada e picotada,
artefactos lascados de sílex, machados e enxós, e um machado de cobre) e no habitat das Carvalheiras (Casteleiro),
cujas datações de C14 provenientes de amostras aí obtidas proporcionaram uma datação rigorosa de meados do III milénio
a.C., possuímos uma ampla panorâmica da presença das primeiras comunidades humanas na região.





A ocupação humana foi pródiga sobretudo na Idade do Bronze, à qual são atribuídos diversos povoados de altitude e
inúmeros achados avulsos. Em Vilar Maior, no Sabugal, na Serra Gorda (Águas Belas), no Castelejo (Sortelha), no
Cabeço das Fráguas (Pousafoles do Bispo), em Caria Talaya (Ruvina), em Vila do Touro, e em muitos outros topos de
cabeços da região ocidental do Alto Côa, habitaram diversas comunidades pastoris, agrícolas e mineiras. A riqueza destas
terras em mineração de estanho e cobre (matéria indispensável para a produção do bronze) consolidou a importância
regional do Alto Côa. Deste período conhecem-se as mais belas peças arqueológicas, como as estelas decoradas dos Fóios
e do Baraçal; a espada de Vilar Maior; os machados da Quarta-Feira, Soito e Lageosa da Raia e, recentemente, as
gravuras rupestres de arte esquemática de Vilar Maior.





As comunidades da Idade do Ferro também ocuparam diversos relevos, deixando-nos vestígios dos seus povoados
fortificados. Para além dos mais conhecidos castros da Serra das Vinhas (Penalobo), dos Castelos de Ozendo
(Quadrazais), do Cabeço de São Cornélio (Sortelha) e da Serra da Opa (Casteleiro), destacam-se o Sabugal Velho
(Aldeia Velha) e o próprio Sabugal. Desde cedo aqui terão existido dois povoados centralizadores de toda a região
superior do Vale do Côa, seguramente devido à sua posição estratégica no território, onde as escavações revelaram uma
grande riqueza material: artefactos metálicos e líticos, cerâmicas, contas de pasta vítrea e estruturas habitacionais
circulares e rectangulares.





Os romanos ocuparam, no final do séc. I a.C., o vale superior do rio Côa de forma militarmente planificada, através da
força dos seus exércitos, ocupando o território por meio de guarnições em pequenos assentamentos militares que, nesta
região, poderiam ter existido na actual freguesia de Aldeia de Santo António ou em Alfaiates. Nesta última povoação foi
encontrada até uma inscrição do Imperador Augusto que parece testemunhar um marco militar, dado que a sua
cronologia é bastante recuada.





São conhecidas numerosas estações arqueológicas da Época Clássica pelo restante Alto Côa, e alguns materiais, que
demonstram a potencialidade da romanização desta região: aldeias, vici, villae, granjas e casais; calçadas e miliários.
Destacam-se entre estes testemunhos romanos, a enorme quantidade de epígrafes votivas e funerárias que revelam a
enorme aculturação romana da população indígena local.





Os dados históricos escasseiam com o declínio da civilização clássica e são raros os vestígios da passagem dos suevos,
visigodos e árabes. Apenas alguns topónimos persistem na paisagem. Entre eles teríamos de destacar o cabeço de Caria
Talaya (‘pousada-vigia’) e até o próprio nome de Alfaiates (possivelmente oriundo de Al-haet = ‘muralha’).





Os episódios históricos que ocorreram no Alto Côa tornam-se mais conhecidos com o início da reconquista cristã da
Península Ibérica e a formação da nacionalidade por D. Afonso Henriques. Durante o seu reinado, o território foi
consideravelmente alargado até ao rio Tejo, tendo o vale superior do rio Côa sido abrangido pelo seu esforço militar.

Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22




Mas, nos finais do séc. XI, a nova investida Almorávida voltou a criar uma desestabilização e desagregação, rompendo
o equilíbrio instaurado na região. Serão as comunidades leonesas, mais tarde, que irão, pouco a pouco, retomando estas
terras do Alto Côa, repovoando-as e dando-lhe o ordenamento administrativo necessário. Os primeiros burgos desta
região, logo após a reocupação, eram constituídos por comunidades autóctones e gentes oriundas do norte da Península,
procurando novas terras.





Assim, pelos finais do séc. XII, Afonso IX de Leão desanexa uma extensa área do termo de Ciudad Rodrigo e funda aí
um novo concelho, escolhendo para sua sede a povoação do Sabugal. No seu termo integravam-se diversas aldeias que
começavam a afirmar-se na região, como por exemplo Alfaiates, Vilar Maior, Caria Talaya e o Sabugal Velho.





Um testemunho vivo do urbanismo, arquitectura e quotidiano das sociedades que aqui habitavam, neste período de
domínio leonês, encontra-se no Sabugal Velho, cujo primitivo nome é ainda desconhecido. Com a sua intrincada linha
dupla de muralhas, o seu urbanismo ortogonal, a importância da sua economia mineira e os seus vestígios materiais
(cerâmica comum doméstica, mós circulares, ferragens, moedas, contas de colar e fivelas de cinturão), seria seguramente
um dos centros populacionais mais importantes da região.





Do lado português, a coroa e os municípios da Guarda e da Covilhã trataram também de alargar o território para sul,
retomando terras aos mouros, como repovoando as terras mais ermas e ocupando territórios de posse indefinida com
Leão. D. Sancho I fomenta o povoamento do novo lugar de Sortelha (retirado do termo da Covilhã), e mais tarde, o seu
neto D. Sancho II outorga-lhe carta de foral (1229), passando a ser o concelho português confinante com o Sabugal
leonês.





Mais a norte, em 1215, forma-se outro município português na margem esquerda do Côa, quando o concelho da
Guarda concede aos Templários as terras de Touro, de forma a defendê-las e repovoá-las. Será o mestre da Ordem
do Templo, D. Pedro Alvito, a conceder-lhe o foral em 1220, criando, desta forma, uma zona tampão nas terras de
fronteira com Leão.





Para fazer face a este castelo de Vila do Touro, o monarca leonês promoveu, do seu lado, a construção de uma
fortaleza num cabeço sobranceiro à margem direita do rio Côa, denominado de Caria Talaya (Ruvina). Aí fundou-se uma
povoação, já desde os inícios do séc. XIII, que esteve para ser sede de concelho, mas que foi abandonada por volta do
séc. XIV e as suas muralhas nunca foram concluídas (tal como a fortaleza de Vila do Touro), pois deixou por essa altura
de ter importância estratégica e militar, com o avanço da fronteira para leste.





O grande termo do Sabugal começou a ser espartilhado, na 1ª metade do séc. XIII, por dois outros concelhos recémcriados:
a povoação de Alfaiates terá retirado o seu alfoz do Sabugal e delimitado o seu território, já antes de 1219; e
Vilar Maior terá recebido Carta de Povoamento (retirando o seu alfoz, por sua vez, de Alfaiates), por volta de 1227.





Estes três concelhos da margem direita do rio Côa serão integrados no território português em 1296, após uma
investida militar que D. Dinis efectua por estas terras, até Ciudad Rodrigo, justificando a legítima e ancestral posse
destas terras, desde os tempos de Afonso Henriques. Esta desavença será sanada apenas com a assinatura do Tratado
de Alcanizes entre D. Dinis e D. Fernando IV de Leão e Castela, em 1297. Com este acordo, a coroa portuguesa fica
com a posse legítima e perpétua de todas as terras de Riba-Côa, sendo criado um novo limite fronteiriço que,
praticamente, se manterá até aos nossos dias.





A partir de aqui, todo o vale superior do rio Côa e parte das terras baixas do Casteleiro e Bendada, serão divididas por
cinco Vilas, sedes de concelho, guarnecidas de muralhas e castelos, cujo principal fomento de construção e reforma se
deve ao rei D. Dinis e seus descendentes.





No final do século XIV, Riba-Côa é afectada pelas guerras fernandinas (1373-1383) e pela consequente luta pela
restauração da nacionalidade (1383-84), sendo palco das invasões castelhanas e da tomada dos seus castelos. O
Sabugal terá sido uma das últimas praças a ser devolvidas por Castela, já em 1393, depois do Tratado de Lisboa entre
as duas coroas.





Câmara Municipal do Sabugal
http://web.cm-sabugal.pt Produzido por CM Sabugal Criado em: 16 April, 2010, 00:22
Nova e importante intervenção régia se faz sentir nesta região, mais tarde, com D. Manuel. Deve-se a este monarca,
uma das maiores reformas políticas e administrativas dos cinco concelhos do Alto Côa. Em 1510, procede à concessão de
novos forais a Sortelha, a Vila do Touro e a Vilar Maior e, posteriormente, em 1515, ao Sabugal e a Alfaiates. Nos seus
castelos empreende reformas de melhoramento, ampliação e adaptação aos novos sistemas de artilharia militar do século
XVI. Nestas localidades ainda é possível admirar os antigos Paços de Concelho, cadeias e respectivos pelourinhos,
datados em grande parte deste período, que reflectem a pujança destas Vilas.





O território estava também, todo ele, estruturado ao nível das vias de comunicação. Estes eixos ligavam a região à
Guarda, a Salamanca, a Belmonte, à Covilhã e a Penamacor. A sua passagem sobre os rios e ribeiras era marcada pela
construção de pontes de pedra, pontões e poldras. Algumas pontes podem ter origem romana, como a de Alfaiates (já
desaparecida), a do Sabugal e a de Aldeia da Ponte. Outras serão de época medieval e moderna, como a de Vilar Maior
e a de Sequeiros (única pelo seu torreão construído no séc. XVII, situada no local de passagem de uma via sobre o Côa).





Lembramos ainda a grande repercussão político-militar que se deu nesta região durante as Guerras de Restauração
contra Espanha (1640-1668), que exigiu a reorganização do exército português e a reconstrução de fortalezas, até à
assinatura do tratado de paz definitivo. Este conflito causou danos e mortandades no Alto Côa durante quase três
décadas. Muitas povoações ribacudanas foram até incendiadas pelos castelhanos.





Próximo a Alfaiates, encontram-se as ruínas do antigo Convento de Sacaparte, de fundação no século XVIII, pertencente à
Congregação dos Clérigos Agonizantes da Tomina, ligados à assistência aos enfermos, dadas as propriedades curativas
das suas águas. Em Aldeia da Ponte, para além de um cruzeiro setecentista, situa-se também o Colégio dos
Marianos. Estes dois imóveis revelam a importância das tradições religiosas e do estabelecimento de algumas ordens
monásticas em Ribacôa, seguramente associadas à passagem de algumas grandes vias pela região.





No âmbito da Guerra Peninsular (1807-1814), esta região foi palco da travessia das tropas francesas de Napoleão. Na
derradeira invasão napoleónica ao território português, na tentativa frustrada de conquistar Lisboa, após a retirada, as
tropas francesas sofreram uma pesada derrota infligida pelas tropas luso-inglesas já nas proximidades do Sabugal, na
Batalha do Gravato (1811). Pelo caminho, a enorme massa de soldados esfomeados iam delapidando as aldeias dos
seus bens e habitantes.





Nos meados do século XIX, a reforma administrativa de Mouzinho da Silveira dividiu o território nacional em províncias,
comarcas, concelhos e freguesias. Esta política provocou no Alto Côa a extinção dos concelhos de Alfaiates e Vila do Touro
em 1836, e de Sortelha e Vilar Maior em 1855, sendo todos integrados no grande concelho do Sabugal. Este município
passou a ter 40 freguesias, com outras numerosas pequenas povoações e quintas. Os Paços de Concelho destas antigas
Vilas foram então convertidos em escolas públicas, e as prisões fechadas, como foi o caso de Vilar Maior e Sortelha,
mantendo-se, porém, os monumentos representativos da sua primitiva municipalidade – património classificado da nossa
região.


Fonte: http://web.cm-sabugal.pt


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